Thursday, 3/8/2018
Uma equipa internacional, que inclui o Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, fez uma descoberta que poderá ajudar na luta contra um fungo que mata 200 mil pessoas por ano e provoca doenças pulmonares e alérgicas em milhões de outras.
O estudo explica a
resposta do sistema imunitário ao fungo “Aspergillus fumigatus” e foi publicado na conceituada revista “Nature”.
A
infeção causada por este micro-organismo é uma das complicações que mais
preocupa os doentes submetidos a tratamentos médicos complexos, como
transplante de medula, sendo fatal em metade dos casos. “Acredita-se que seja
responsável por uma série de doenças pulmonares, incluindo a asma, que afetam
milhões de pessoas em todo o mundo”, afirmam os cientistas Agostinho Carvalho e
Cristina Cunha, ambos do ICVS da UMinho.
A
equipa internacional, liderada pelo MRC Center for Medical Mycology da
Universidade de Aberdeen (Reino Unido), descobriu um
mecanismo de resposta imunitária a um componente “inesperado” do fungo.
O recetor agora identificado reconhece um pigmento específico do fungo chamado
melanina.
Em Portugal, o trabalho foi coordenado pelo ICVS, tendo sido
identificadas mutações neste recetor que aumentam o risco de contrair infeções
em doentes submetidos a transplante em cerca de 25%.
Esta descoberta poderá
contribuir para o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico e terapias
personalizadas para combater esta infeção.
“Respiramos
diariamente centenas de esporos deste fungo, embora sem consequências graves.
No entanto, em situações de debilidade do sistema imunitário esta infeção é
fatal na maioria dos casos. Esta investigação permitiu melhorar o conhecimento
sobre como o nosso sistema imunitário responde a este micro-organismo, sendo
esta informação crucial para melhorar a capacidade de diagnosticar a sua
presença em pessoas infetadas e conceber novas terapias capazes de ajudar no
tratamento desta doença complexa”, realça Agostinho Carvalho.
O
estudo envolveu ainda o National Institute
of Allergy and Infectious Diseases, o National Institutes of Health (ambos dos
EUA), o Instituto Pasteur (França), o Imperial College London (Reino Unido), a
Universidade Friedrich Schiller de Jena (Alemanha), o Centro Médico da
Universidade Radboud (Holanda) e, do lado português, o Instituto Português de
Oncologia do Porto e o Hospital Universitário de Santa Maria da Universidade de
Lisboa.