quinta-feira, 16/11/2017
Uma equipa do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho concluiu que o aumento benigno da próstata deve-se à falta do neurotransmissor serotonina, dificultando o fluxo da urina e o esvaziamento da bexiga.
Esta descoberta
portuguesa acaba de ser publicada na conceituada revista “Scientific Reports”, do grupo Nature.
É a
primeira vez que se percebe a origem desta doença, chamada “hiperplasia benigna
da próstata”, que afeta mais de um terço dos homens a partir dos 60 anos.
Os investigadores do ICVS analisaram modelos
animais e linhas celulares e perceberam que a presença de serotonina inibe o
crescimento benigno da próstata. Isso sucede porque se diminui a expressão
do recetor de hormonas sexuais masculinas, como a testosterona. A
experiência com ratinhos demonstrou que, ao ser-lhes retirada a serotonina, a
próstata aumentava de tamanho.
Os resultados apontam para novos alvos
terapêuticos nesta doença, nomeadamente a aplicação de fármacos que ativem o
recetor da serotonina, inibindo o crescimento benigno da próstata.
O estudo foi realizado por Emanuel
Carvalho-Dias, Alice Miranda,
Olga
Martinho, Paulo
Mota, Ângela Costa, Cristina
Nogueira-Silva, Rute S.
Moura, Riccardo Autorino, Estêvão Lima
e Jorge Correia-Pinto,
todos do ICVS e Escola de Medicina da UMinho, sendo alguns deles também do
Hospital de Braga, tendo ainda a parceria de cientistas do Centro Max Delbrück
de Medicina Molecular (Alemanha).