O aumento de
atividades “dentro de portas” no outono deve ter, de novo, como consequência a
aceleração da propagação da pandemia. O que fazer a curto e a médio prazo? Esta
foi a pergunta a que procuraram responder 32 cientistas de 17 países, um grupo
que inclui Helena Machado, presidente do ICS.
Num artigo publicado agora na revista The
Lancet – Regional Health em que alertam para o risco de repetição do que
aconteceu em 2020, os investigadores alertam que as medidas de
contenção, as chamadas intervenções não farmacêuticas, continuarão ainda a ser
necessárias a meio termo. Já numa perspetiva mais alargada, a hipótese de
erradicação do SARS-CoV-2 deverá requerer “um comprometimento político, um
assentimento unificado e uniforme de que a eliminação ou a meta do baixo número
de casos é o objetivo primordial” (p. 7 do artigo). De acordo com os autores,
para esta estratégia, os países precisarão de ter: “a) programas de vacinação
rápida (…); b) suficientes medidas de mitigação (…); comunicação próxima entre
os decisores políticos e um alargado conjunto de experts para pesar os
custos e os benefícios societais das medidas (…); d) mitigação do vírus em
regiões com elevada incidência e e) suficiente infraestrutura de saúde pública.”
Para os
investigadores, o sucesso do controlo da pandemia depende de uma comunicação
clara, assim como de cooperação internacional baseada na solidariedade, porque
“ninguém estará seguro até que todos estejam seguros”. Por isso, os autores do
artigo insistem na necessidade de respostas coordenadas entre os países,
inclusive para garantir que todos têm acesso a vacinas.